JUSTIFICATIVA

 

 

 

O alimento é o produto mais nobre da Agricultura. Porém, não está somente relacionada com o que se leva à mesa para refeições. Ela ainda participa da vida cotidiana das pessoas com a produção de madeira para móveis, papéis e construções, através das florestas plantadas; no vestuário das pessoas, através da produção do algodão, do linho, da viscose, da seda e do couro. É responsável pela produção de pneus e diversos artefatos de borrachas; de bebidas destiladas e fermentadas como refrigerantes, vinhos, cervejas, cachaças, whisky; da fabricação de produtos medicinais e cosméticos. Também   gera energia limpa, como os biocombustíveis, através da produção de cana-de-açúcar, soja, dentre outros. Nesse sentido, a agricultura também é fundamental para se produzir novas fontes de energias renováveis, em contraponto às fontes fósseis, que esgotam os recursos naturais.

 

Contudo, um produto de base agrícola somente estará disponível para o consumidor final após passar por várias etapas de uma cadeia produtiva agroindustrial. Essa é a visão de agronegócio, que começa com insumos de ponta, tem como base a produção agropecuária e chega ao final na forma de alimentos, bebidas, roupas, fibras, energia limpa e uma série de produtos acabados que desmontam completamente a ideia simplista da divisão da economia nos setores primário (agricultura), secundário (indústria) e terciário (serviços). As cadeias produtivas do agronegócio incluem tudo isso.

 

Quando se soma as agregações de valor em todos os elos das cadeias produtivas, que têm como base a agropecuária, o setor passa a se denominar agronegócio. Sob essa ótica, revela-se como o segmento mais importante para 80% municípios capixabas, em termos de geração de emprego e renda. Responde por até 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e ocupa um em cada três ou quatro trabalhadores capixabas.

 

O setor agrícola e seus negócios associados, nesta visão de agronegócio, cumprem uma relevante função social e econômica no Espírito Santo. Apesar da reduzida extensão territorial, com apenas 0,5% de toda dimensão do País, o Estado se caracteriza por uma diversidade de ambientes e uma riqueza natural pouco vista nos demais entes federados. Podemos transitar do mar à montanha em menos de 50 km. Contamos ainda com um litoral de 415 km, aspecto importante para o desenvolvimento de atividades aquícolas e pesqueiras.

 

Com essa diversidade, o Espírito Santo apresenta setor agrícola pluriativo e multifuncional. Estimativas recentes apontam que são praticadas, comercialmente, mais de cem atividades agrícolas no espaço rural capixaba.

 

Assim, o agronegócio capixaba vem se destacando no cenário nacional em diferentes setores, como por exemplo, na cafeicultura, onde o Estado é o segundo maior produtor de café do Brasil, e o primeiro na produção de Conilon com melhoria crescente na qualidade do café, respondendo por cerca de 40% da renda agrícola. Já na fruticultura, é referência nacional e internacional na produção de mamão, sendo o maior exportador do País, e na produção de coco anão, destacando-se como o segundo maior produtor nacional. Ainda neste segmento, apresenta uma produção significativa de maracujá, banana, abacaxi, citros e morango, o que acabou influenciando o crescimento do parque agroindustrial voltado para o processamento de frutas e de polpa de frutas. O Estado ocupa também o segundo lugar na produção de pimenta do reino.

 

A pecuária bovina, tanto de leite quanto de corte, tem evoluído muito nos índices de produtividade e qualidade do produto, graças aos investimentos feitos no setor em melhoramento genético, alimentação mais eficiente do rebanho, capacitação do produtor e infraestruturas que conferem qualidade ao produto final.

 

A avicultura de postura e de corte é um dos segmentos do agronegócio capixaba com mais avanços tecnológicos, nos últimos anos. O Espírito Santo já se consolidou entre os quatro maiores produtores de ovos do Brasil, sendo que o município de Santa Maria de Jetibá atingiu recentemente a incrível marca de 6 milhões de ovos produzidos diariamente.

 

A aptidão natural e logística para silvicultura, fez crescer o arranjo produtivo dessa atividade que vem conquistando a cada ano o mercado nacional e internacional pela sua elevada produtividade e pelos resultados sociais e ambientais alcançados, tendo no Estado uma das maiores empresas de celulose do mundo. A olericultura se destaca, principalmente na Região Serrana do Estado, pela sua tradição, diversidade de cultivos e elevada rentabilidade em pequenas áreas, o que viabiliza a propriedade familiar. Destaca-se ainda na produção de cacau, látex de seringueira, pimenta rosa, da floricultura, da aquicultura, nas atividades de agroturismo, agroindústria e de agricultura orgânica, que vem ganhando espaços importantes.

 

Nas exportações do agronegócio capixaba, os destaques são celulose, café, pimenta do reino, carne bovina, mamão, chocolates, gengibre, macadâmia, pimenta rosa, dentre outros. Os produtos capixabas chegam a cerca de 100 países graças à competitividade de nossos arranjos produtivos e à qualidade da produção, mesmo enfrentando os gargalos de logística que ainda permanecem.

 

Apesar de toda essa pujança, e das transformações positivas ocorridas na agricultura capixaba, ao longo dos últimos 50 anos, ainda convivem no Estado uma agricultura tecnificada – “agricultura de ponta” – com uma outra agricultura bem menos dinâmica. Esta última possui como características principais os elevados riscos na produção e comercialização e os baixos níveis de produtividade e de agregação de valor aos produtos agrícolas, resultante principalmente da baixa qualidade na gestão do negócio.

 

Nesse sentido, se faz necessário avançar em estratégias e ações para que haja redução das desigualdades tecnológicas e de gestão entres os sistemas produtivos relevantes do Espírito Santo, e se tornem dinâmicos,  tecnificados e competitivos. O fortalecimento e a consolidação do agronegócio, a partir das cadeias produtivas com base no setor agrícola, é uma das principais estratégias para que o Estado alcance o tão sonhado desenvolvimento regional equilibrado, com oportunidades para todos os capixabas.

 

A realização deste Evento é uma contribuição para se promover a integração do setor e debater estratégias para a melhoria da competitividade sustentável do agronegócio capixaba.

 

 

Objetivo:

 

Promover a integração do setor, bem como discutir as perspectivas e as estratégias para a melhoria da competitividade sustentável do agronegócio capixaba.