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Solo capixaba tem alto potencial de reflorestamento

27 de abril de 2016

 

Especialistas ligados aos estudos do agronegócio no Espírito Santo expuseram na reunião da Comissão de Agricultura, nesta terça-feira (19), no Plenário Judith Leão, as condições naturais favoráveis apresentadas pelo solo capixaba para o reflorestamento do território.

 

De acordo com o engenheiro agrônomo e diretor do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) Murilo Pedroni, o solo capixaba tem alto potencial de regeneração de suas florestas, não havendo necessidade de plantio de mudas para a sua restauração.  Pedroni afirmou que são 2,8 milhões de hectares, ou seja, 61% da área do Estado, com tal capacidade de reflorestamento de seu solo. 

 

Essa informação é importante, principalmente para o agricultor, visto que o custo para cobertura de um hectare de floresta natural é de até 15 mil reais, aproximadamente, e o produtor não tem condições econômicas para desviar seus investimentos da produção para o reflorestamento. 

 

Os custos de reflorestamento aumentam de acordo com a complexidade e as dificuldades apresentadas pela terra, mas em geral é considerado de baixo custo devido às condições favoráveis do solo. São quatro os métodos de reflorestamento.  A rebrota dos troncos ou raízes, regeneração natural, semeadura direta e o plantio de mudas. 

Em 20 anos, para o cumprimento do Código Florestal, em vigor desde 2012, o Espírito Santo precisa reflorestar mais 6% de seu território – 286 mil hectares –, podendo chegar a 22%, considerando que já há 15% do solo coberto por florestas naturais.

 

Estudos

 

A Cedagro realizou estudos e constatou que entre 1975 e 2008 uma área de 106 mil hectares – 2,3% da área estadual – foram naturalmente regeneradas, graças a existência de milhares e diversificados “fragmentos florestais” (sementes, plantas e outros fatores naturais da topografia), por causa da pouca distância e da estrutura das florestas matrizes.  Os pesquisadores encontraram 115 espécies arbóreas em 43 famílias botânicas.

 

O período de reflorestamento varia de 12 a 34 anos, explicou o engenheiro Frederico Fragoso, também da Cedagro. As zonas mais propícias para o reflorestamento natural, segundo a constatação da pesquisa, a Central Serrana, Transição Metropolitana/Central Serrana e Extremo Sul acidentado, com mais de 90% de potencial de regeneração natural. Os segmentos com menor potencial de regeneração natural são as zonas Extremo Norte, Tabuleiro Sul/Extremo Sul Baixo e Litoral Norte, que apresentaram menos de 35% de potencial de regeneração.

 

Políticas

A falta de convergência entre os projetos dedicados ao reflorestamento, como o Reflorestar, entre outras iniciativas públicas e privadas, e a quantidade de liberação para desmatamentos, registrou Padre Honório (PT), dificultam a recuperação das matas. O deputado pediu para que as autorizações para derrubar matas sejam mais criteriosas. “Se libera mil hectares para o plantio de eucalipto, como vai se conseguir reflorestar o norte do Estado, 11% do território a ser reflorestado?”, perguntou o deputado. 

 

A deputada Eliana Dadalto (PTC) lembrou o incêndio da reserva florestal de Sooretama e perguntou se o trabalho da Cedagro tem informação técnica a respeito. Frederico Raposo explicou que a recuperação de uma área com floresta é muita mais rápida, pela sua capacidade natural de regeneração, com tempo próximo de 12 anos.

 

 

O déficit de reflorestamento – 2,8 milhões de hectares - deixou o deputado Freitas (PSB) preocupado. Ele entende que a responsabilidade é muito maior quando ainda acontecem desmatamentos isolados, apesar da preocupação do produtor rural. Para o deputado a agenda não pode ser da ordem natural, e sim da responsabilidade fiscal e da ação técnica do homem. Ele elogia o sistema de pulverização agrícola por aviação, que tem, pela lei, 250 metros de limite, e Freitas afirma que tal limite não tem passado de 15 metros. “Não podemos deixar de valorizar as tecnologias e também de fiscalizar ação das tecnologias”, observa.

 

“A agricultura é um tema que proporciona muitas paixões. É preciso conviver com essas diferenças. Às vezes, há até diferença por questão ideológica. A gente precisa se abrir e participar do debate”, opinou a deputada Janete de Sá (PMN), presidente do colegiado. A deputada também lembrou o exemplo da pulverização por aviação, outro assunto polêmico e ainda em pauta. 

 

Além da presidente Janete de Sá, compõem a Comissão de Agricultura, Silvicultura, Aquicultura e Pesca, de Abastecimento e Reforma Agrária, os deputados Padre Honório (PT), vice-presidente; e os efetivos Raquel Lessa (SD), Eliana Dadalto (PTC), Freitas (PSB). São suplentes os deputados Erick Musso (PMDB), Nunes (PT), Da Vitória (PDT), Sandro Locutor (Pros), Marcos Bruno (Rede).

 

Fonte: Aldo Aldesco / Web Ales

 

   
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